quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Estrela Vespertina


Onde ficou o teu ouro, minha estrela vespertina
De que sombra se vestiu, meu olhar obscureceu

É a sombra daquele que se perdeu, que
sem saber fazia o ouro brilhar como teu

Moldura de retrato, de um amor em abstracto
No correr das eras, fora do tempo, renasceu

A fina lamina do punhal de um dia, que no som
da mesa equilibra o jorro de sangue do coração

De Hermes tomas as asas, de Mercúrio o caduceu
Ave sem rumo, peregrina, que da Arcádia se perdeu

Para se encontrar no infinito de um vago olhar,
lamento de um grito amordaçado pelo respirar

De tormentos te enfeitas, os quais fazes brilhar
Como se foram jóias, do teu coração a soçobrar


Requintes de um incontornável exterminar,
da salvação que muitos te querem ofertar

Cada segredo é um peso, do jugo secular
Nas marés do olvido procuras libertar

Da prisão das palavras e maravilhas,
que em vão se tentam culminar

Mergulha no saber, dá voz ao sentir
Pelo barca serena da compreensão

Manifeste-se em ti o saber do Mestre,
e no repetente, finalmente uma redenção

Reanima a tua chama de Alma consagrada
Ao sonho primevo, filho, irmão, Anjo de Luz

Corpo de paz, estrume da terra, seara de dor
plano maior, as flores vai beijar.

Setembro 2012
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