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terça-feira, 10 de julho de 2018

O caminho espiritual - Wu Jyh Cherng


Um caminho espiritual não é um caminho onde se busca benefício exclusivamente pessoal, onde o mundo deixa de ter importância. Por isso, a sinceridade interior é essencial para podermos alcançar o estágio de caminhantes. 

Sinceridade significa fidelidade, lealdade e honestidade, consigo próprio e com os outros.

Então, para retornarmos ao Tao, ao Absoluto, temos que primeiro recuperar o nosso bem-estar e a nossa paz interior. A partir desta condição, podemos encontrar o silêncio e a quietude interior, abandonando uma identidade egóica e trilhando um caminho que está além da forma e das linguagens. E, ao trilhar este caminho, integrando-o na nossa vida diária, vamos-nos unindo ao Tao.

Wu Jyh Cherng

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Destino - Wu Jyh Cherng



Mestre Maa diz que o Tao oferece a vida pra quem quer viver e a morte para quem quer morrer. Isso significa que esse Absoluto não tem a intenção própria de determinar o que nós queremos; ele simplesmente nos oferece naturalmente as condições para aquilo que nós pretendemos conduzir.   

Porque é que essa ideia é importante? Porque dá base para um dos conceitos fundamentais do taoísmo, que coloca cada pessoa como responsável pelo seu próprio destino. Ou seja: nós somos essencialmente responsáveis pelo nosso dia de amanhã, independente do que vamos encontrar, se é a vida ou a morte. 

Para o taoísmo, não existe um destino que deverá ser vivido por nós fatal e inevitavelmente, determinado por alguém superior e supremo, que está acima da condição humana. O que existe é um destino quase fatal e inevitável, determinado e escrito por nós mesmos num papel em branco que nos foi entregue por essa Condição Suprema – não importa se você o chama de Supremo, Tao, Virtude, Deus ou qualquer outro nome – exactamente para nele escrevermos nosso destino. Isso que escrevemos nesse papel em branco é que muitas vezes é tão bom ou tão mal escrito que faz com que nosso futuro, pelo menos o breve, seja quase fatal e inevitável.   

Dessa maneira, poderemos fluir junto com o céu e a terra. O céu é eterno e a terra é constante; eles vivem muito mais que nós, então se nós conseguirmos viver integrados com o céu e a terra, teremos a vida da infinidade e da constância. 


Wu Jyh Cherng, Sacerdote Taoísta.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Retalhos da vida… para nos fazer sorrir…







 
O  exemplo mais concreto pelo qual se pode entender o sábio conceito da Impermanência, é o das nossas próprias paixões.
 
Sejam coisas, profissões, locais, pessoas...com as pessoas o exemplo é mais nítido, mais definido, ainda que possa ser aplicado a qualquer vertente da vida.
 
 


Abrindo uma janela no tempo, assistimos à procissão daquilo ou daqueles que incendiaram o nosso coração e somos submersos por uma caterva de dúvidas, e quem sabe, se pela primeira vez, percebemos o eco repetitivo de conteúdos iguais, em contentores diferentes

O assistente na janela é o observador incólume aconchegado no calor sereno que a alma emana. Olha com afinco, e torna a olhar…mas não vê o que algures na escala do tempo o atraiu…tenta lembrar… seria o olhar, a timidez, a confiança, os saberes, o cheiro, o toque, a voz, o riso, a ternura, a paciência, a gentileza, a bondade, a entrega, a lealdade, a doçura? Onde estão? Se ao estender o olhar pela linha da procissão não vê qualquer altar… deve ser dos olhos cansados pois o tempo não perdoa…

Mas persistente, poem-se em bicos de pés, repreende o olhar (não se arme este em exigente) e volta a perscrutar. E o que vê, mormente, é um todo comum, desconcertante, nas sombras diluídas dos seus amores, santos e heróis…

 - o batedor da tristeza cruza o ar, pede para entrar…

- o ego  lança o engodo e escreve a giz  “tempo perdido “…

- a mente refila, que viste ali? Este, aquele e o outro, onde esconderam as paisagens que meus olhos adoraram?...

Aí…o coração já saturado da discussão resolve intervir…não se desgastem!
Quantos mais proveitos podem tirar se retiverem hoje, e para sempre, que o que no outro te atraiu era apenas um reflexo teu… que os dons que enumeraste são teus… que as graças que partilhaste são tuas…que em espelhos de diferentes tonalidades pudeste expandir os presentes que as tuas fadas te deram ao nasceres – tua herança, teu celeiro, farol cintilante que ilumina o teu retorno ao lar.
Assim como as culturas da terra têm época, assim espalhas sementes em ciclos temporais que germinarão, mais viçosas e fortes, no terreno que vieste cultivar, em mim, teu próprio coração…

Trabalha sem reserva – Entrega sem cautela – Ama sem medida

Sê, Sê, Sê

Os retalhos da vida são como os buracos negros que pululam no cosmos, aparentemente vazios, no entanto repletos de tudo aquilo que precisamos para compor a obra da estrutura psicoafectiva que viemos experimentar

Não há ganhos ou perdas, apenas patamares de compreensão amorosamente aprimorados pela lei da evolução.

 
A.

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Reflexão


"Perdemo-nos demasiadas vezes na vulgaridade do procurar novas paisagens esquecendo que também viver, só será possível na premissa de novos olhares.
Nada está naquilo que desejamos, mas sim naquilo que necessitamos"



Paulo Vieira de Castro

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Assistencialidade


 

 

 

“Na vida, a perfeição é atingida, não quando nada mais existe para acrescentar, mas, quando não há mais nada para retirar”

 Saint Exupéry

 

O conceito da assistencialidade é por demais conhecido e aplicado em alguns meios filosóficos e espiritualistas.

A assistencialidade despojada, desprovida de qualquer interesse consciente, ou subliminar, é a essência mais pura duma fraternidade ampliada à sua máxima expressão.

Ouvimos com frequência a denominação “ Trabalhadores da Luz”, ao que preferimos chamar “Portadores da Luz”.

Todo Ser Humano é um Portador da Luz, poucos são ainda os que fazem uso d`Ela.

 

“Muitos são os chamados, poucos os escolhidos” disse o Nazareno

 

Mas esta escolha é individual, somos, cada um por si, que optamos por fazer uso, ou não, da nossa Luz.

A necessidade de doação, é um apelo silencioso de toda Alma, que advém da procura primordial, da ansiada, ainda que inconsciente, fusão com o Todo.

Dentre as inúmeras formas em que se pode prestar assistencialidade a outro ser, uma existe, que como suave luva se adapta à nossa mão.

Estágio de vida, idade, condição social, nada é óbice à doação de amor incondicional em qualquer forma de assistencialidade.

Assim mesmo, e para concretizarmos essa faceta da nossa missão, nada precisamos acrescentar à nossa vida. O que precisamos é retirar, suprimir, todos os escolhos que nos impedem de ver, e usar, a Luz da qual somos portadores:

 

O Ego – pela necessidade de reconhecimento ou retribuição

O Julgamento – pela limitada e cega avaliação de quem merece, ou não merece

O Orgulho – de nos considerarmos inferiores, ou incapazes

O Medo – da crítica e do parecer social à nossa acção e viver

O Rancor – em que por desentendimentos pessoais “afastamos” os visados

A Mágoa – em que por sentimentos e emoções em desarmonia, “castigamos” os envolvidos

 

Queridos Amigos, o tempo é pouco e a seara é grande!

Está na hora…de retirar as vendas dos nossos olhos, os cadeados do coração!

Não devemos estar à espera do “ algo” que venha enriquecer a nossa vida, ou acrescentar supostas condições.

A riqueza, aquela que se requer e precisa, essa está em nós, somos nós, é um coração pleno de gratidão.

E que pela alquimia do amor se transforma no Farol que faz parte da nossa matriz.

Portadores da Luz, o tempo é chegado.
 
A.
 
Do livro : "Ponte de Palavras"

 

 

 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Factor D



O Factor D

 

Resignação é a súmula das energias seculares estacionárias. Acorrentadas pelo medo, seduzidas pelo conformismo, dominadas pela ignorância.

Aceitação é a pavimentação do Caminho da Ascensão. É a absorção de nutrientes capacitantes para a compreensão abrangente da essência do que somos, para que viemos, e como integrar ambas.

A postura resignativa é o aglutinante de todas as desarmonias  

A postura de aceitação é a fórmula em mutação de todas as soluções.

A resignação é a consorte da frustração, epidemia dos nossos tempos. Argumento que alimenta a inércia galopante sintoma recorrente das civilizações agonizantes.

A aceitação é o impulso sempre jovem, imortal, que promove a transcendência do que nos aflige ou desune e que, pela via do conhecimento, percorre o rio contra a corrente da foz à nascente na barca ascendente que se chama Abençoada Paz.

A qualquer instante podemos alterar a equação e encontrar a justa medida pela qual todos somos criados o:  Factor D ( Deus – Divino )

 

Deus (a nossa consciência divina) não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos (o que cada um escolhe)

 

 A.

 

11 de Novembro 2012