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domingo, 29 de julho de 2018

Sentidos




Como eu gostava de saber escrever
Em letra viva, na alma impressa
Os mil sonetos dos teus sentidos
Que migram em bando aos meus
Do teu olfacto capto o mar numa redoma
Do palato, o sabor dos paraísos perdidos
Do ouvir, a sinfonia das pautas em branco
Da tua voz, o eco do teu coração a versar
Do olhar, os céus onde aprendo a voar
Do tacto, o trovão que ecoa na pele
Da tua Luz que em meu seio nutro
O brilho sagrado que resgata o mundo


Como eu gostava de saber escrever…

A.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

Imaginem





   Imaginem…..que são o refrão desta canção
Que vosso olhar, é lago de paz onde todos possam mergulhar

Imaginem…..as vossas mãos a abençoar
Emanação de um abraço partilhado, desenhado no ar

Imaginem…..que o coração universal, é o vosso, a soar
no apreço, elevação e conforto da vossa palavra a doar

Imaginem que as cores de Deus desabrocham
no enlevo e amor que colocam no Caminho, ao andar

Imaginem…..a vossa Alma como farol a iluminar
Anjos a despertar, escultores, do amor incondicional

Imaginem...aceitem, a vossa essência sagrada, pois sois
testemunhos, herdeiros, do Mestre secular

A.







quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A ti, àquele, e aos outros


 
O mais belo poema do mundo

 

O gosto a poesia sobressai no palato

Marca os dias de que o tempo se faz

Ácida ou doce com travo a paixão

É o circuito que move o coração

 

O mais belo poema do mundo

É o que desde o berço te envolve

Com o xaile traçado do fado

Que da vida se faz canção

 

Palco tabuado, encenado

Dom, identidade e brasão

Tua vida, obra, composição

É o mais belo poema do mundo

 

A.

 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O dom de amar



 

Do som a melodia

Do vento a acção

Do vazio a razão

 

Amar, não é sentimento ou emoção

 

É luz no seio da escuridão

É o perfume  do  deserto

É o poder da absolvição

 

Amar não é dar ou receber, mas partilhar

 

A dádiva de se ser o que é

A letra duma canção

A lágrima que resgata

 

Amar, não é corpo ou obrigação

 

Mas sim fogo ardente

Que eleva o presente

Às oitavas de Deus Mãe

 

Amar,  é tão só a capacidade do teu Centro Sagrado reflectir a Luz, tua escolha, e opção.

 

A.

 

 

domingo, 1 de julho de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Choro


O choro é luz condensada que como uma trovoada, se liquefaz em ondas pequeninas que escalam as paredes da alma e se derramam no mundo.

Molda-se em lágrimas, pérolas sencientes que enfeitam a alameda da nossa ilusão, às vezes sabem a contentamento, outras tantas, a dor e desilusão.

Mas, são sempre faúlhas do ardor, do amor pela vida, da qual somos contendor.

Honra aos Guerreiros



Vozes da Terra

terça-feira, 8 de maio de 2012

Não sei se é sonho, se realidade

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter
Felizes, nós? Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez,

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.


Fernando Pessoa

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sol da meia-noite

Noite pequenina de parco descanso, entre sonho e vida encontro passagem

Alvéolos de vento em gruta marinha abrem caminho por chão de seda

Sol da meia-noite da minha Alma que desde o coração irradia

És meu, ou apenas o reflexo doutra Alma que não a minha?



A.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Homenagem


Lembremos hoje Antero de Quental, uma Alma inquieta...trovador, poeta, filósofo e visionário
Quental nasceu em 18 de Abril de 1842 e pôs termo à vida em 11 de Setembro de 1891.






A um Poeta

Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

in "Sonetos"

O Inconsciente (Deus)

O Espectro familiar que anda comigo,
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto
E outras muitas ansioso espreito e sigo.

É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto
Mil vezes abro a boca... e nada digo.

Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?

Teus irmãos (respondeu) os vãos humanos,
Chamam-me Deus, ha mais de dez mil anos...

"A Poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade"



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Meu, O Teu, Deus em Nós


Girassol que roda e desabrocha,  colo que se expande

Sou a arca do teu Sol em rosa rubro matizado

De tua fronte, sopro a linha vincada de dor

Contorno teu rosto com um colar de amor

O Meu, O Teu, Deus em Nós…

O destino do Sol, é brilhar, em esplendor



A.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

GRATA

Grata

No raiar da alvorada, ainda mal acordada
A  serenata sentida das avezinhas do céu
Gorjeios  de alegria assinalam o caminho
Sem fim de bênçãos, cada dia, é de glória

Grata

Pela viagem no tempo, da alma primordial
Até ao espírito integral deste Porto Graal
Que  Pessoa já supunha ser destino ou ideal
E será cumprido, no consciente individual

Grata

Por cada momento de paz ou tormento
Que o céu agracia com versos alados
Estrofes de Sol, vento que se faz pena
Que o mar reverencia na sua melodia

Grata

A.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Homenagem a Akhenaton

Aos Iniciados no auto-conhecimento:

O poema que segue foi escrito pelo Faraó Akhenaton há quase 4 mil anos. Este Faraó, provocou a mudança mais radical do Egipto antigo ( politeísta ) ao proclamar o Sol ( Aton) como único divindade a quem se devia prestar culto. Este poema que se percebe estar incompleto, é uma parábola para quem a quiser descodificar que descreve bem os tempos que vivemos.

A.

"Como é bela tua aurora no horizonte do céu,
Ó Aton vivo, iniciador da vida!
Quando te ergues no Oriente,
Enches o universo de tua beleza.

És belo, grande, brilhante, alto acima da terra,
Teus raios envolvem a terra e tudo que criaste.

És Rá e os tem todos cativos;
Uniste todos pelo teu amor
Embora estejas longe, teus raios estão sobre a terra;
Embora sejas alto, os rastros de teus passos são o dia.

Quando repousas no horizonte ocidental do céu,
A terra está na obscuridade como a morte;
As pessoas dormem em seus quartos,
Envolvem a cabeça,
Suas narinas param de funcionar,
Ninguém vê seu vizinho,
Tudo o que lhes está sob a cabeça pode ser roubado.

E não sentem.
Estão os leões saem de seu covil,
As serpentes picam...
O universo esta em silencio,
Aquele que o fez repousa no horizonte. (...)"


"Dos escritos recuperados de Akhenaton"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Não sei...


Não sei...

Se o Céu escureceu

Ou se a alma recolheu

Se o tempo envelheceu

Ou se outro tempo nasceu

Não sei...

Se a palavra que embalou

Jáz serena em leito de cinza

Se o mar terá a mesma cor

No horizonte apagado

Mas sei...

Que a alma radiosa

Filha do fogo e da água

Renascerá... pelo amor

De uma chama gloriosa


A.



15 de Dezembro de 2011


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Deixa-te amar

Deixa-te amar

Como terra ressequida que a chuva vivifica

Como rio que serpenteia sem nunca parar

Como vento alísio que transponhe o mar

Deixa-te amar

Como os sonhos que se desenham no ar

Como eco que retorna sem nunca cansar

Como luz que encandeia as trevas do olhar

Deixa-te amar





A.

9 de Setembro 2011


terça-feira, 12 de abril de 2011

À Poesia, e aos Poetas de todos os tempos

Poesia....

Poesia, eco d`alma ou profecia
Teu ser, presente em cada dia 
Saudade, qual vaga sombria
Que desvanece quando irradia

Poesia,  por ti me torno eleita
Do mar à tardinha a ninar
Da chuva serena a versar
Do sol, a querer iluminar

Poesia, dor que escorreita
Por esse escrever singular
Do teu coração a ditar
O que o meu diz, sem falar

Poesia, és o ouro e a prata
Com que adorno o lembrar
Do fulgor de um trovador
Que a Lua amou, ao dançar

Poesia, que mais te posso dar
Que uma lágrima a rolar
Pela escarpa do sentir
Saberes? Apenas, amar

Poesia....

A.