terça-feira, 27 de março de 2012

Momentos


“Um aspirante sábio e atento fica de guarda e protege cuidadosamente as suas forças de poderem ser furtivamente desviadas, e desbaratadas em emoções negativas, imaginações fúteis e actividades desnecessárias. Ele sabe que necessita de cada gota da sua energia para práticas espirituais, e que é essencial economizá-las. Contudo, se, em determinadas ocasiões, se encontrar perturbado, agitado ou deprimido, e, por qualquer razão, não for capaz de readquirir a força que o pode libertar desse estado, então, antes que este reúna demasiado momentum descendente ampliando o seu domínio, é preferível deixar esta prática espiritual e decidir-se por uma outra, como por exemplo, caminhar; uma forma de exercício espiritual que, de qualquer maneira, deverá utilizar sempre, principalmente, se estiver no exterior.
Esta técnica de andar, não só utiliza a sua energia de forma produtiva em dias em que não consiga dominar o seu estado interior, como também lhe abre novas vias para realizações espirituais mais profundas de auto-conhecimento. As dificuldades que tiver com este exercício ajudá-lo-ão a compreender melhor, não só a necessidade imperiosa de se manter num estado de recolhimento interior intenso e activo, como também de meditar serenamente dentro das paredes de um mosteiro ou do seu quarto. Se isto falhar, todas as realizações espirituais, por muito elevadas que sejam, não poderão ser implementadas na vida activa, e não conseguirá prever como enfrentará ou reagirá aos ventos imprevisíveis e impiedosos do mundo exterior, sempre que o destino, inexplicavelmente, o lançar no meio deles.
Porque, mesmo que consiga retirar-se da vida exterior por algum tempo, mais tarde ou mais cedo, terá de deixar a protecção da sua reclusão e partilhar com a humanidade agonizante os frutos da sua colheita espiritual – os quais, por lei divina, não poderá guardar só para si”



Via da Vigilância Interior

 Edward Salim Michael