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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Papéis esquecidos



Hoje,  por acaso (seria? ) dei por mim a folhear papeis esquecidos e encontrei um rasto de ti minha mestre, rio onde tantas vezes desaguou a corrente da minha dor.
Papel manuscrito com a tua letra gigante, e enquanto lia, fui "vendo" o teu ar admoestador (quando tinha que ser), mas também as tuas lágrimas incontidas quando o meu sofrimento era carvão ardente ao qual não conseguias ficar imune.

Fui lendo...

" Minha querida Maria o mundo é redondo, ou seja, o em baixo é sempre relativo ao de cima conforme a localização daquele que estará algures a afirmar o pra baixo é ali! o de cima acolá!
Nunca te esqueças que num globo azul predominantemente, pois há outras cores, o papel feminino varia conforme o aqui e o acolá! Entretanto há-de chegar a todos um local onde em baixo  e em cima deixam de existir e aquele  que se quer localizar terá que usar como referência : Em que coordenada quero EU estar?
A vantagem é que o ser sendo feminino, esteja onde estiver, vai sempre idolatrar uma forma de amor que seja única, sincera, pura,  mas, na maioria das vezes também, egoisticamente   exclusivista. Entretanto, há-de haver coordenadas onde o feminino no seu lado lato e integro SER/TER, ocupe ele, o feminino/mulher"...

BL


Provavelmente, e passados alguns anos deste teu ensinamento, encontrei-o para perceber que nome dar ao mar de amor onde nada a minha alma, livre de objectos de querer, plena de amor sem meta ou razão a que se poderia chamar: feminino/mãe/ser.

Abraço infinito amada amiga

Adelina


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Assistencialidade




 “Na vida, a perfeição é atingida, não quando nada mais existe para acrescentar, mas, quando não há mais nada para retirar”

 Saint Exupéry

 

O conceito da assistencialidade é por demais conhecido e aplicado em alguns meios filosóficos e espiritualistas.

A assistencialidade despojada, desprovida de qualquer interesse consciente, ou subliminar, é a essência mais pura duma fraternidade ampliada à sua máxima expressão.

Ouvimos com frequência a denominação “ Trabalhadores da Luz”, ao que preferimos chamar “Portadores da Luz”.

Todo Ser Humano é um Portador da Luz, no entanto, poucos são ainda os que fazem uso d`Ela.

 

“Muitos são os chamados, poucos os escolhidos” disse o Nazareno

 

Mas esta escolha é individual, somos, cada um por si, que optamos por fazer uso, ou não, da nossa Luz.

A necessidade de doação, é um apelo silencioso de toda Alma, que advém da procura primordial, da ansiada, ainda que inconsciente, fusão com o Todo.

Dentre as inúmeras formas em que se pode prestar assistencialidade a outro ser, uma existe, que como suave luva se adapta á nossa mão.

Estágio de vida, idade, condição social, nada é óbice à doação de amor incondicional em qualquer forma de assistencialidade.

Assim mesmo, e para concretizarmos essa faceta da nossa missão, nada precisamos acrescentar à nossa vida. O que precisamos é retirar, suprimir, todos os escolhos que nos impedem de ver, e usar, a Luz da qual somos portadores:

 

O Ego – pela necessidade de reconhecimento ou retribuição

O Julgamento – pela limitada e cega avaliação de quem merece, ou não merece

O Orgulho – de nos considerarmos inferiores, ou incapazes

O Medo – da crítica e do parecer social à nossa acção e viver

O Ressentimento – em que por desentendimentos pessoais se afastam os visados

A Mágoa – em que por sentimentos e emoções em desarmonia, se atinge os envolvidos

 

Queridos Amigos, o tempo é pouco e a seara é grande!

Está na hora…de retirar as vendas dos nossos olhos, os cadeados do coração!

Não devemos estar à espera do “ algo” que venha enriquecer a nossa vida, ou acrescentar supostas condições.

A riqueza, aquela que se requer e precisa, essa está em nós, somos nós, é um coração pleno de gratidão.

E que pela alquimia do amor se transforma no Farol que faz parte da nossa matriz.

Portadores da Luz, o tempo é chegado.

 

“Vive de tal forma que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade, e não deixes ninguém afastar-se de ti sem que leve um traço de bondade, ou um sinal de paz da tua vida”

Joanna de Ângelis



Este texto faz parte do livro “Ponte de Palavras”