segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tu, És a Ponte

 “Não podes percorrer a Senda, enquanto
não te tornares a própria Senda”
Helena P. Blavatsky
Tu, És a Ponte

No zénite da peregrinação sondas a falésia e és confrontado com o grande rio.
Deste, evola a neblina impressa com os contornos dos caminhos já percorridos
Em cálculo aferido pelo já vivido, buscas a outra margem que nunca existiu
O sol e as estrelas já não servem de guia num firmamento que se transladou
Pressentes a melodia, música das esferas, códigos estelares, que em ti ressoa
E a ponte surge a cada passo que dás, Senda Segura, feita da tua própria luz
O cosmos infinito, o céu estelar, encontrou no teu coração, o seu novo Lar

A.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Momentos


Momentos

 

Duas lágrimas, apenas duas porque mais não te concedo

Mas nas minhas lágrimas cabem todos os mares

Onde vestida de luto te apraz mergulhar, razão

E neles podes fundear o grito que não soltas… Porquê?

 

A.

 

 

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um conto - Deus onde estás?


Deus onde estás?

A determinada altura da sua vida um homem despertou para a inquietação do vazio existencial e enveredou por uma intensa busca espiritual.
Encontrou de tudo, desde credos paliativos cujas teorias não colmatavam as suas dúvidas, fanatismos enraivecidos que matavam e amaldiçoavam, em nome de Deus…mas mais que tudo, encontrou os espiritualistas profissionais cujo portfólio tem de tudo:  conselhos, mézinhas, rituais q.b., com hora marcada, por encomenda expresso, serviços eficazes com tabelas condizentes,  nada falta ao cliente… 
O nosso personagem enredou-se na teia mais abrangente, actualmente, dos Véus de Maia. A sua busca tornou-se num circuito de desilusão, cansaço, descrença, e quase desistência.
Um dia, ao fazer aquela que se propôs ser a sua última peregrinação, encontrou-se frente a um comprido e alto muro, no qual a luz solar por estranha configuração projectava uma sombra de contorno enorme, magnífica, esplendorosa.

 E o homem pensou:
- Afinal valeu a pena toda este trabalho e carga de  enganos e desilusões, creio que finalmente encontrei Deus.

E munindo-se de coragem gritou para a sombra:
- Deus estás aí? Deixa-me entrar…

E Deus respondeu:
- Filho meu claro que estou aqui…como sempre estive, em Ti…o que vês é a tua própria sombra… e por favor, agora que estás crescido deixa de brincar às escondidas comigo,  não me aprisiones mais…DEIXA-ME SAIR!....

Vozes da Terra

11 de Julho de 2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Parole parole parole


 

Nunca como hoje a palavra foi usada como salvaguarda da desarmonia interior.

Numa liberdade abusiva de conceitos tão sagrados como o amor, a amizade, o altruísmo, a verdade, a compaixão, faz-se uso da palavra para encenar realidades fingidas, para conspurcar sentimentos, para disfarçar a perversidade.

Nunca como hoje o Céu se compungiu na figura dos seus anjos caídos, no cativeiro das suas horrendas máscaras pintadas de virtudes, na faculdade de inocularem a sua pestilência moral, devassa loucura, em pretensos aromas de arautos espirituais.

Atrás de tempo, tempo vem! E o da veracidade trará a onda da transparência imaculada que varrerá até a mais ínfima partícula de infâmia, e esse tempo é chegado.

 

 Vozes da Terra

8 de Julho de 2013
 
 
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tempo


Freddie Mercury

 

5 de Setembro 1946 - 24 de Novembro 1991

 

O menino da voz de oiro...há quanto tempo...






quarta-feira, 19 de junho de 2013

Brisas


"A escuridão me basta"



“A escuridão me basta”

 

"Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na escuridão e no grande silêncio.
Lamento todos os meus pecados.
Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.
Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, a fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.
Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre. Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à Tua claridade.
Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo, estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em Tua paz e Tua glória.
Tua claridade é minha escuridão. Eu não conheço nada de Ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te conhecer.
Se eu te imaginar, estarei errado.
Se Te compreender, estarei enganado.
Se ficar consciente e certo que Te conheço,  serei louco.
A escuridão me basta".

 

 (Thomas Merton)

 

 

Brisas




quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Instante Mágico - Paulo Coelho


 

O instante mágico

É preciso correr riscos. Só entendemos bem o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus dá-nos, junto com o sol, um momento em que é possível mudar tudo o que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem – e será igual a amanhã.
Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista.
O instante mágico do dia ajuda-nos a mudar, faz-nos ir em busca dos nossos sonhos.
Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar o seu coração dizer: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou pelos teus dias? O que fizeste com os talentos que o teu Mestre te confiou? Enterraste-os fundo numa cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste a tua vida”.
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque aí acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.

 

Paulo Coelho

trecho de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”

 

Puentes


Homenagem à escritora Elsa Bornemann, que há poucos dias fez a sua passagem. Um dos seus mais belos poemas, "Puentes".
 

Yo dibujo puentes
para que me encuentres:
Un puente de tela,
con mis acuarelas...
Un puente colgante,
con tiza brillante...
Puentes de madera,
con lápiz de cera...
Puentes levadizos,
plateados, cobrizos...
Puentes irrompibles,
de piedra, invisibles...
Y Tú...¡Quién creyera!
¡No los ves siquiera!
Hago cien, diez, uno...
¡No cruzas ninguno!
Más... como te quiero...
dibujo y espero.
¡Bellos, bellos puentes
para que me encuentres!


Elsa Bornemann

 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Retalhos da vida… para nos fazer sorrir…







 
O  exemplo mais concreto pelo qual se pode entender o sábio conceito da Impermanência, é o das nossas próprias paixões.
 
Sejam coisas, profissões, locais, pessoas...com as pessoas o exemplo é mais nítido, mais definido, ainda que possa ser aplicado a qualquer vertente da vida.
 
 


Abrindo uma janela no tempo, assistimos à procissão daquilo ou daqueles que incendiaram o nosso coração e somos submersos por uma caterva de dúvidas, e quem sabe, se pela primeira vez, percebemos o eco repetitivo de conteúdos iguais, em contentores diferentes

O assistente na janela é o observador incólume aconchegado no calor sereno que a alma emana. Olha com afinco, e torna a olhar…mas não vê o que algures na escala do tempo o atraiu…tenta lembrar… seria o olhar, a timidez, a confiança, os saberes, o cheiro, o toque, a voz, o riso, a ternura, a paciência, a gentileza, a bondade, a entrega, a lealdade, a doçura? Onde estão? Se ao estender o olhar pela linha da procissão não vê qualquer altar… deve ser dos olhos cansados pois o tempo não perdoa…

Mas persistente, poem-se em bicos de pés, repreende o olhar (não se arme este em exigente) e volta a perscrutar. E o que vê, mormente, é um todo comum, desconcertante, nas sombras diluídas dos seus amores, santos e heróis…

 - o batedor da tristeza cruza o ar, pede para entrar…

- o ego  lança o engodo e escreve a giz  “tempo perdido “…

- a mente refila, que viste ali? Este, aquele e o outro, onde esconderam as paisagens que meus olhos adoraram?...

Aí…o coração já saturado da discussão resolve intervir…não se desgastem!
Quantos mais proveitos podem tirar se retiverem hoje, e para sempre, que o que no outro te atraiu era apenas um reflexo teu… que os dons que enumeraste são teus… que as graças que partilhaste são tuas…que em espelhos de diferentes tonalidades pudeste expandir os presentes que as tuas fadas te deram ao nasceres – tua herança, teu celeiro, farol cintilante que ilumina o teu retorno ao lar.
Assim como as culturas da terra têm época, assim espalhas sementes em ciclos temporais que germinarão, mais viçosas e fortes, no terreno que vieste cultivar, em mim, teu próprio coração…

Trabalha sem reserva – Entrega sem cautela – Ama sem medida

Sê, Sê, Sê

Os retalhos da vida são como os buracos negros que pululam no cosmos, aparentemente vazios, no entanto repletos de tudo aquilo que precisamos para compor a obra da estrutura psicoafectiva que viemos experimentar

Não há ganhos ou perdas, apenas patamares de compreensão amorosamente aprimorados pela lei da evolução.

 
A.

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Maio


Maio

Maio continua florido, numa antecipação do apogeu de que Junho é rei, o desabrochar das mais tímidas flores e o amadurecimento dos frutos veranegos

Mês duma luz única só comparável aos salões celestes nas noites de vigília, clarifica o que toca, dissolve as sombras das labutas da alma ...tanta magia..
 
E o céu, o céu de Maio é colcha estendida, passado presente futuro, todos os risos todos os nomes todos os ódios e amores, de todos os tempos, nela estão desenhados, presentes, aqui e agora...tudo é hoje...
 
 
Maio
 
 
 
A.

O Campo de Trigo





 
O Campo de Trigo

No campo de trigo as hastes emergem  na busca de bálsamo para as raízes que definham,  sequiosas de luz, contorcidas da dor dos reinos  de Hades,  de que  tentam libertar-se

Maio generoso, preenche com a tua Luz, eternamente, as brechas das mentes que a seca calcinou. No efémero trajecto deste mundo, que possam ver pelo sentir, a brisa da autenticidade, do amor compassivo, dos acordes da vibração espiritual.

 

A.

 

 

 

sábado, 18 de maio de 2013

Verdade


Ao encontro da Verdade, quantas verdades demoram a chegar
 

Pacotes de verdades fiáveis, confortáveis, a preço justo

Respeitáveis suportes de discussões que invalidam razões

Recolhem, por sugestão, acenos de cabeças concordantes

 
Convidadas ao palácio da Verdade, sabem-se retardadas

Fruto mirrado na rama empedernida da árvore da vida

Aquela, que o sol não alimentou nem a poda cativou

 
Em verdade, essas verdades desconfiam da sua verdade

Trincam aqui e ali pedaços de parágrafos bem-falantes

E a sapiência de arautos da verdade feita por medida

 
Fazem parte do séquito do trono do mundo

Carroça que há muito perdeu eixo e roda

Arena onde a Verdade não tem lugar

 

A.

 

18 de Maio 2013

 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Aninha-me...


Aninha-me uma vez mais

no teu olhar de espanto...

não por não saberes...

mas por puro encanto…

 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Toques de Amizade


Sorri, amado amigo

hoje não sorriste enquanto escrevias

e independentemente das letras que juntas

eu sei quando sorris ao escrever para mim
 

Somos tão abençoados tu e eu

aprendemos o significado da distância

do silencio que fala e da solidão que mima

da plenitude da comunhão sacramentada

na aceitação das opções da dor de cada um
 

Dor desafiada no sorriso maquilhado, assimétrico
 

Sorri, amado amigo...preciso do teu sorriso...

para saber que este mar é real

e que nele, não estou só...

 

Eu

7 de Maio 2013

 

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Reflexão


"Perdemo-nos demasiadas vezes na vulgaridade do procurar novas paisagens esquecendo que também viver, só será possível na premissa de novos olhares.
Nada está naquilo que desejamos, mas sim naquilo que necessitamos"



Paulo Vieira de Castro

terça-feira, 30 de abril de 2013

Acerca das doenças da mente




Acerca das doenças da mente

Quantas leituras existiram e existem acerca das doenças da mente.

Quantas são reavaliadas a cada século porque entretanto compreendidas.


Quantos nascem, vivem durante décadas, e morrem, sem saberem que são doentes da mente, dado a realidade em que vivem nem isso lhes permitir, saberem que são doentes… São os loucos profundos, que quando amados, quão felizes serão nos seus mundos privados de que só eles sabem o segredo, e de onde estão.


Já quando a mente se sabe diferente, aufere duma ferramenta exclusiva das mentes diferentes, larga vantagem em relação com a normose do compasso evolutivo das mentes iguais (normais).
Esta ferramenta é o ponto de equilíbrio da escolha pela aprendizagem, que só resulta quando transmitida pela veracidade do exemplo, e pelo amor que só uma família (que faça jus ao nome) pode usufruir.
 

Quando a mente se sabe diferente, tem a “esperteza” suficiente para se refugiar no rótulo, e que este sirva de argumento e desculpa para todo o lodo que carrega como qualquer um, ou, pode ter a vontade suficiente para optar por um fio condutor que não sente, mas sabe ser bom. É um finíssimo grau de opção, com elevada pontuação no caminho evolutivo.


Aos seres com doenças da mente que não sabem ou saberão que o são, que o Céu lhes prodigue colos meigos e proteção da bestialidade humana

Aos seres cuja mente se sabe diferente, que o Céu lhes prodigue famílias por inteiro, mães, pais, filhos, irmãos, conjugues, munidos de tanto equilíbrio como só um excelso amor pode dar.
 
- Que saibam ser a alavanca certeira do ténue ponto de viragem, na encruzilhada da escolha do seu ente amado


- Que tenham abertos os olhos da mente para saberem ver, perceber, e apreciar a paisagem que ele lhes mostra
 

- Que sejam a tela contínua, exemplar e ativa dos melhores valores da vida, fonte onde ele irá beber



- Que façam de cada dia uma prece, gravada num amor tão profundo que fertilize, como a água sagrada que impregna os desertos seculares.

 
A.
 
30 de Abril de 2013






 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Seixo


Seixo que rolas pela abrupta encosta sem travão

Aguçando as arestas com que feres, e te feres

Coordenadas perdidas pela  erosão

Seixo...